Religião e política: apenas uma opinião...

Religião e política: apenas uma opinião...

Por Victor Teixeira

A política em sua conceituação clássica é o debate entre os cidadãos para decidir o que é melhor para a cidade. Segundo Aristóteles política é a ética aplicada à cidade. Assim sendo todos somos políticos e todo tem a obrigação de participar ativamente daquilo que interfere em nossas vidas. Não tem mais espaço para o apolítico. Segundo Bertold Brecht "o pior analfabeto é o analfabeto político". No entanto hoje está muito confuso o que chamamos de política. Muitos acabam reduzindo a política apenas às campanhas e às eleições e fica tudo parecendo que a sociedade divide-se apenas em partidos. Quem defende partido A ou B. Quando estamos falando em nome de uma religião esta questão ganha aspectos mais profundos e que precisam ser pensados e discutidos. O religioso não pode se alienar das questões políticas até porque isso irá interferir no seu direito de praticar sua religião. Ainda mais religiões como a nossa que historicamente por conta do preconceito recebe muitas vezes a dor da discriminação.

No entanto, o dirigente religioso precisa entender que ele não tem o direito de usar de sua influencia religiosa para apontar para determinados lados no cenário político-partidário. Defendo inclusive a ideia de que o líder religioso de qualquer religião não deveria se candidatar a cargos políticos. Ele pode ter posição pessoal, ele pode ter e defender suas ideias. Mas tudo tem seu lugar. O lugar certamente não é o terreiro. Nas eleições não devemos apontar o voto em um candidato, mesmo que este candidato seja umbandista. Nosso voto não deve ser dado necessariamente a quem possui religião igual a nossa, mas àquele que defendem um projeto de sociedade que nós acreditamos. No parlamento nossas crenças religiosas não deveriam ser relevantes para aprovar medidas e leis para o país. Não é isso o que acontece e alguns segmentos religiosos possuem bancadas no congresso. Um verdadeiro absurdo.

Para ficar bem claro defendo que política e religião se discutem sim. Mas Estado e Religião são coisas separadas e assim devem continuar sendo. Mas podemos sim defender bandeiras que consideramos justas, que consideramos importantes, não para nossa religião em particular mas para equidade de direitos de todas as religiões. Assim, por exemplo o Muda - Movimento Umbanda do Amanhã está realizando uma campanha na internet para que votemos com consciência. Acesse, dê sua opinião e compartilhe nas redes sociais. (#30diasparamudar)

Nova Iguaçu, 6 de setembro de 2016